Contos e Causos

"A primeira vez que tomei CocaCola,  foi num bar que tinha embaixo do antigo Clube Juiz de Fora, na esquina da rua Halfeld com av. Rio Branco ( prédio que o papai fez), do lado da Casa Oriente, onde troquei a minha geladeira. O gosto era muito ruim".


"Uma vez, peguei a bicicleta do Paulo Bandeira - grande amigo, que morava perto do Alto dos Passos, e, ele gostava de uma menina que estudava na Escola Normal - enquanto ele ficava namorando, perto da escola, e,  fui para a rua Halfeld passear. Tinha um poste grande que ficava
na esquina da av Rio Branco, na frente do Clube Juiz de Fora antigo. O poste não ficava no
passeio, por isso, resolvi passar entre o passeio e o poste e bati com tanta força o guidon no
poste, que chamou a atenção de todo mundo, tal o barulhão... Queria sair depressa, pois todos estavam me olhando, mas a bicicleta era alta e eu não conseguia dar o galeio para sair. Foi um vexame".

 

"Quando eu era pequeno, fui pegar um peixe no repuxo da casa dos Meurer ( era amigo do Alceu, que foi para a Escola Militar de Realengo –RJ, onde saiu oficial do exército),  perdi o equilíbrio e cai dentro. Me levaram para a casa da Nona e ela me deu uma toalha para enxugar".

 

"Meu pai Raphael gostava de ir, aos domingos,  mexer nos motores dos carros FIAT da família.
As vezes até os consertava. Víamos lá de casa e ficávamos chamando-o e ele sempre acenava".

 

"Na rua Antonio Dias, depois de rebaixado ( cavado o morro para fazer a rua), o chão foi
revestido com pé de mole (pedras), onde os meninos capinavam o mato que crescia ao
redor das pedras".

 

"Na época que estudava no Colégio São José, no Rio de Janeiro, a gente sempre ia conhecer
alguma coisa. Uma vez, o navio de guerra francês, Joanna D´Arc veio ao Rio e fomos
conhecê-lo. Na entrada, cantamos a Marseilleuse e entramos. Me lembro que dei um pulo do degrau e me senti mal, pois o chão era muito duro"

 

"Uma vez, papai e o tio Miguel nos trouxeram para o Rio, depois das férias, de carro. Em Paraibuna, sempre tinha pessoas, com animais e correntes, pois, quando chovia, não se conseguia passar.. Quem não queria pagar, atolava e não saia de lá...
Eles nos deixaram na portaria do colégio, e, Hugo e eu, dissemos que não precisava subir até o colégio. Então, eles foram embora.Aproveitamos e saímos. Tínhamos dinheiro e fomos
almoçar na casa da Adelina (nossa procuradora) e não falamos a eles que tínhamos vindo
com papai e o tio Miguel... Depois do almoço, descemos para darmos uma volta, e, na
esquina, demos de cara com os dois. Desculpa pra lá, desculpa pra cá, falamos que almoçamos
na Adelina e que já tínhamos combinado com ela. Adelina era uma grande amiga de minha mãe
e queria que a Tia Lydia casasse com o filho dela, Sebastião, para unir a família, mas, isto não aconteceu".

 

"A gente sempre ia ao cinema, Hugo e eu. Entrávamos num, saíamos, entrávamos em outro e
assim por diante. Os cinemas ,na Cinelândia - RJ, eram pertinho um do outro e sempre
passavam filmes diferentes. E isso, porque passei um ano só no Rio, pois Hugo foi expulso do colégio ( era muito arteiro), e tivemos que ir para Juiz de Fora, de volta".

 

"Tinha uma mina d´agua na Cia. Pantaleone Arcuri, que levava a água para todas as casas da rua Antonio Dias ( da família). Mas, o vovô também cedia água para as pessoas que fossem buscar lá, não importando que quantidade pegavam".

 

"O Cine Theatro Central foi construído pela Companhia e, nós estávamos sempre lá.
Vi o Biggi fazendo os desenhos deitado numa prancha de madeira, em cima de um andaime. Ele desenhava no papel, fazia uns buraquinhos para a tinta passar na parede ou no teto e saia o desenho. Depois é que ele começava a colocar as cores.
Me lembro que, na construção do Cinema Central, a gente pulava dos camarotes, no andar de cima, num monte de areia, lá embaixo. Coisa de criança...
Tinha uma  orquestra que acompanhava os filmes. Tempo depois, os filmes vinham acompanhados de um disco, que era colocado junto com o inicio do filme. As vezes, o disco ficava diferente do filme e ríamos muito quando acontecia isso.
Em volta da tela, se colocava várias propagandas. A gente, esperando o filme começar, brincava de descobrir os endereços, o que continha na propaganda, qual palavra que repetia.
Os assentos, na parte superior, eram degraus de concreto
Na época dos meus filhos, que ficou gravado na cabeça deles, é a música que tocava antes de começar o filme. Começou a música, o filme ia começar também, e todas as crianças batiam palmas de alegria".

 

"Saiu no jornal O Globo os 50 anos da morte do brigadeiro Newton Braga, que teve o pequeno monoplano Jaú, com o qual ele fez a travessia do Atlântico, de Genova até aqui em 8 de abril de 1927. O avião dele era mantido pela Aviação Militar , em Realengo.
Quase que diariamente, ele vinha nos visitar, na escola onde eu fazia o curso. Ele incentivava sempre todos os alunos. Ele saia sempre com o seu avião para outros aeroportos, fazendo inaugurações, demonstrações, etc.".

 

"Minha mãe sempre visitava a casa dos Sfair. Um dia, ela contou que as mulheres estavam conversando, quando olharam para a porta da sala, lá estava o Munir Sfair.
A mãe dele logo falou:
- Sabe o que ele está esperando???? Mamar! (Ele mamou na mãe até os 10 anos, o que não era muito difícil acontecer antigamente, pois as mulheres tinham um filho atrás do outro)".

 

"Do outro lado da Estação da Central, passando pela ponte, existia a av. Raul Soares, que era
colada com o rio Paraibuna. Lá, existiam casas de moradia (sobrados), que, em cima era
moradia e embaixo era loja. Lá, trabalhavam o Cristino Ribeiro, Miguel Sirimarco e a família Wandekock Moreira. Meu avô Pantaleone sempre falava com o velho Procópio, na época
prefeito de Juiz de Fora, que estava errado fazer construções que terminavam em cima
do rio, que ele não devia permitir isso, pois, nas viagens que o meu avô tinha feito, ele viu
que as avenidas eram feitas de um lado e do outro do rio. Lembro-me que eles indenizaram
as famílias e derrubaram as casas., e hoje, o outro lado Vitorino Braga. Tem uma foto que mostra as casas...."

estacao
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“Um cliente meu, já idoso, comentou comigo que, na época que meu pai Raphael chegou com minha mãe em Juiz de Fora, e foram morar na rua Barbosa Lima, as pessoas davam um jeito para passar na frente da casa, só para ver a belezura da minha mãe.”

 

“Jayme Pinto tirou a confirmação do brevet antes de mim. Ele tinha muitas horas de vôo, mas ele só regulamentou o brevet depois que fui para Juiz de Fora. Por coincidência, o avião PP-GAN chegou junto com Jayme no Aeroclube”.

 

“Cheguei a escrever noticias sobre aviação, pois recebia revistas e livros e dali tirava as noticias para a Revista Asa. Eu fazia, dava pro Nery e ele colocava com o codinome AR.
Todo esse material foi doado para o Aerocube de Juiz de Fora (se é que ainda existe...), na Serrinha e eles nunca disseram obrigado ou falaram alguma coisa sobre a minha pessoa, apesar de ter passado uma boa parte da minha vida voando lá. Pena...”

 

“Quando eu era rapazola e freqüentava a Cinelândia, no Rio de Janeiro, passeava muito perto do paredão de pedra na praia do Flamengo. Um dia, fez um barulhão e eu imaginei que Ra um tubarão. Eu não conhecia essas coisas!!!. Era uma onda muito grande que bateu no paredão”.

 

“O pai do Wilson Beraldo me deu uma carta de apresentação para tenat conseguir uma vaga de dentista no Banco do Brasil. O rapaz que me atendeu, desfez de mim e disse que entraria
em contato. Saí do prédio tão desorientado e humilhado, que vi uma porta de uma igreja,
entrei lá e rezei.
Aí é que eu senti que a tristeza foi embora. Passei no escritório do Hugo e falei com ele:- Hoje eu percebi que a gente está sempre acompanhado de alguém protege a gente.”

 

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