Família > Historia

Meu nome é Ricardo Arcuri, nasci em 4 de maio de 1917, fim da Primeira Guerra, em
Juiz de Fora, Minas Gerais.

Meu pai, chama-se Raphael Arcuri, minha mãe Isabella Mattei Arcuri. Somos 7 irmãos, a Cristina, era a mais velha e tinha o apelido de Nella, o Pantaleone, que era o médico, depois vem a Lydia, o Hugo , eu, depois vem a Ivette e o Nísio, que é o caçula.

Meu avô materno mesmo eu não tinha, porque, a minha mãe veio de lá, da Itália, e eu nunca tive assim contato, a mamãe pouco falava nos pais e se falasse... a gente garoto, naquele tempo, não ligava o que os pais estavam falando, comentando. Agora tive contato com meus avós, paternos. O nome dos avós maternos era Paris Mattei e Sylvia Del Rosso Mattei.

Meu avô, por parte de pai, era Pantaleone Arcuri, ( * 24/08/1867 + 15/04/1958) que é o mesmo nome do meu irmão, Pantaleone Arcuri Neto. Foi o primeiro filho homem do meu pai que era o filho mais velho do meu avô, e o primeiro filho homem, como todo o italiano gosta de ter filho maschio,
pôs o nome de Pantaleone Arcuri Neto. Era tradição mesmo do europeu, e principalmente do
italiano, porque o italiano fazia questão do filho ser primeiro homem.Tanto é que, antigamente,
o direito de herança era dado para os homens. As mulheres recebiam dote.

Pantaleone Arcuri nasceu em Sant' Agata di Esaro, na província de Consenza (sul da Itália),
no dia 24 de agosto de 1867.
Seu pai, o pedreiro Rafael Arcuri, tendo perdido sua mulher Rosalia Caglione Arcuri, pouco depois do seu nascimento, passou a se dedicar somente à ele, filho único.
Em 1876, quando Pantaleone estava com 9 anos, Rafael veio para o Brasil, fixando residência no
Rio de Janeiro. Por ser um exímio mestre de obras, não foi difícil arrumar emprego. Seu primeiro
emprego foi nas obras do túnel João Ricardo.
Sua carga de trabalho era grande não dando tempo e condição para dedicar-se ao filho e,
preocupado com a educação de seu filho e com os maltratos que o menino vinha passando nas
mãos de pessoas estranhas, levou-o para a Itália, deixando-o sob cuidados de parentes.

Rafael casou-se novamente e depois de mais de dez anos, Pantaleone voltou para o Brasil aos 20 anos de idade.
Sem dinheiro, mas com muita garra e habilidade, trabalhou na cidade Marquês de Valença, no Rio de Janeiro, e Rio Preto até chegar em Juiz de Fora.
Entre os anos de 1887 e 1890 trabalhou como pedreiro, começou a ganhar um pouco de dinheiro, juntar dinheiro, voltou na Itália, no sul da Itália, e já tinha escolhida a minha avó, Christina Spinelli Arcuri
(* 08/10/1973 + 21/11/1964) como esposa.
Aos 24 anos, no dia 02 de abril de 1891 casou-se, em Juiz de Fora (O casamento civil foi um dos primeiros realizados em Juiz de Fora, tendo sido celebrante o industrial George Francisco Grande, que exercia ao mesmo tempo as
funções de juiz de paz e vice-consul da Alemanha). A cerimônia religiosa foi oficiada pelo padre Leopoldo Caglianone, vigário da Chácara, servindo de
padrinhos o Sr. Luiz Perry e senhora e o Dr. Antero José Lage Barbosa e senhor).

Considerou-se um de seus primeiros trabalhos na cidade a construção da casa do médico Eduardo Menezes e
Maria do Carmo, na Av. Rio Branco.

A família Arcuri chegou aqui e fez 3 ramos. Um, foi pra Minas, que foi o caso do meu avô, outro
ficou no Rio, e um terceiro foi pra São Paulo. Agora, da parte da minha avó, Spinelli, já tem outros
ramos também. Em Valença tinha uma família Spinelli, que eram primos de minha avó.


Quando minha avó Christina ficou grávida, tornou a voltar para a Itália para ter o primeiro filho
(que foi o meu pai Raphael) . Lá permaneceu por cinco anos.
Novamente em Juiz de Fora, meu avô tornou-se empreiteiro de obras, associando-se à Pedro Timponi, depois
ao cunhado Jose Spinelli, constituindo a firma Pantaleone Arcuri e Spinelli.

Meus avós moraram na rua Espírito Santo, ao lado da primeira entrada das oficinas e, mais tarde,
com a construção do prédio novo, em frente à Escola Normal, meu avô fez sua residência na
parte de cima da empresa, onde tinha pinturas de Angelo Bigi com paisagens da sua cidade natal.

O papai sendo o primeiro filho, foi criado debaixo do rigor do meu avô. Meu pai puxou muito meu
avô: trabalho, estudo, responsabilidade, sendo assim, vovô resolveu mandar meu pai, aos
15 anos, estudar na Itália.
Em 1906, iniciou os estudos de arquitetura, se destacando pelos seus desenhos, que foram
muito elogiados. Foi lá em Nápoles, que ele conheceu a minha mãe, em 1908. Um belo dia ,
meu pai escreve para o meu avô, dizendo que estava querendo casar. Ihhh... meu avô ficou doido, aquele
menino vai agora casar... Naquela época, estava passeando por lá um irmão da minha
avó, José Spinelli, então,
meu avô pediu a ele para ver quem era a família, aquela coisa toda, e ele viu que não podia ser melhor, que
era uma família de muito conceito lá em Nápoles e vovô deu permissão para ele casar. Minha mãe se
chamava Isabella Mattei Arcuri,
nascida em 10 de junho de 1888, dois anos mais velha que meu pai.
Casaram-se em Nápolis em 1908, e vieram
para o Brasil depois de quase dois anos, em 1911. Já vieram com os
dois filhos mais velhos que nasceram na Itália, a Cristina, que tinha um ano e pouco e
o Pantaleone, tinha um ano ainda.

Naquele tempo a gente ia muito na casa dos meus avós, porque eles sempre mantiveram a união
da família, principalmente em épocas festivas, como o Natal, Passagem do Ano, essas coisas. O
Natal lá...Ihhh... aquilo era uma festa... Basta dizer que eles reuniam toda a família, era mais
de 40 pessoas, se reuniam em volta de uma mesa, ele tinha a facilidade de arrumar uma mesa grande,
porque ele tinha marcenaria, e a gente, a garotada, naquele tempo eu era garoto, e
a gente aproveitava.

O Natal que eles faziam sempre, tinha o presépio e tinha um um tio, que ficava responsável.....
Mas o presépio dele ocupava uma sala de mais de 5 metros de largura, um presépio grande,
imitando morro, aquela coisa, que eles faziam aquilo, como um vulcão, que eles punham o
ventilador por baixo, tocavam assim uma lâmpada vermelha. Isso a gente lembra, porque ele comprava muito
essas miniaturas de bonecos, da Itália, então ele guardava, e quando chegava na época da véspera de Natal,
fazia o presépio, que era muito visitado. Era na primeira casa que eles moravam, era uma casa baixa, tinha
umas três janelas assim de frente, eles as deixavam aberta, a pessoa chegava, olhava a janela aberta, e o
presépio lá . E iluminava, fazia aquela coisa toda....

Meu avô era uma pessoa, assim, representativa na comunidade de Juiz de Fora.
Como ele veio de uma classe mais humilde, ele tratava bem o que estava lá em cima, ele tratava
bem o que estava em baixo. Um operário que trabalhava com ele, era amigo. Amigo.
Tinha operário
lá de quando a firma começou, meu avô já estava deixando a firma, já quase no fim da vida dele,
tinha operário já tinha mais de 50 anos de casa .

Quando da inauguração da Casa D'Italia, em 1939, meu avô foi agraciado com a comenda concedida por
S.M. Rei D'Italia Victor Emmanuel III
, como a Ordem de Cavaleiro Oficial da Coroa Italiana, Estrela da
Solidariedade da República Italiana e o Título de Cidadão Honorário da
Cidade de Juiz de Fora.

Meu pai levou adiante o trabalho de meu avô. Mas, nessa época, também já vinham os outros
irmãos dele. Teve mais um que era engenheiro, o Reginaldo Arcuri, tinha o outro que trabalhava
na parte de escritório, Romeu Arcuri, tinha um outro que tomava conta da oficina, que era o
Mário Arcuri, e atualmente só tem o Arthur Arcuri, que é o mais novo dos homens.

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