Juiz de Fora > Museu Mariano Procópio

O velho Mariano Procópio morreu em 1872 e deixou muitos bens para sua família. O seu filho, fotógrafo e advogado Alfredo Ferreira Lage, foi morar na Europa após a morte do pai e voltou ao Brasil para cursar Direito em São Paulo. Sujeito culto, gostava de colecionar objetos de arte e transformou a Villa Ferreira Lage, na sua época casa de veraneio da família, em um pequeno museu particular. Para comemorar o centenário do nascimento do pai (e abrir espaço para tantas peças), já em 1921, resolveu construir um prédio anexo à velha casa ligada à casa principal por meio de uma passarela  e assim nasceu o Museu na Villa, projetado pelo arquiteto alemão Carlos Augusto Gambs, chefe da equipe de engenheiros e arquitetos da Companhia União e Indústria, que planejou um castelo totalmente em alvenaria de tijolos. O projeto paisagístico dos parque e dos jardins é atribuída ao francês Auguste Marie Francisque Glazion, que traçou também os jardins da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro e do Palácio de Petrópolis.
A quinta era composta ainda de três outras casas, ocupadas atualmente pela sede da 4ª Região Militar.

Em 1922, o Museu Mariano Procópio foi oficialmente aberto ao público. Em 31 de maio de 1934, Alfredo Ferreira Lage doou ao município tanto o museu e o Parque Mariano Procópio.
A direção propriamente dita do Museu só se concretizou dois anos depois. No dia 29 de fevereiro de 1936, foi comunicado as “condições” em que seria feita a doação, lavrada em escritura. Incluía seis exigências feitas pelo próprio Alfredo Lage:
A primeira, perpetuar a denominação de “Museu Mariano Procópio”.
A segunda, a proibição perpetua  de conservarem no Museu os objetos artísticos, históricos e científicos a eles incorporados.
Outra exigência do doador foi sobre a administração do Museu e do parque.
Foi assim que nasceu o “Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio”. Seu diretor, o próprio doador Alfredo Ferreira Lage, deixou a direção com a sua morte, em 27 de setembro de 1944.
Nessa época, o Museu Mariano Procópio já era um dos mais importantes do Brasil, com um acervo de 40 mil peças. As peças refletem, em quase sua totalidade, influências dos séculos XIX e princípio do século XX.
Embora previsto para ser concluído no ano de 1861, para hospedar a Família Imperial, a construção não ficou pronta a tempo. Era a residência de verão perfeita dos Ferreira Lage e hospedou por três vezes a Família Imperial brasileira.
Até hoje, o prédio conserva características originais, como a caixa d´água de madeira e os papéis de parede franceses. São 16 salas, mobiliadas de acordo com os gostos do século XIX, destacando-se a sala de música, com seus lambris de madeira trabalhada. Todos os ornamentos deste ambiente foram importados da Inglaterra e aqui montados. A sala de jantar e o escritório da família permanecem exatamente como à época. No segundo pavimento, encontra-se a parte íntima, permanecendo os quartos de Alfredo e o de D. Maria Amália, sua mãe.

Um dos locais mais instigantes e misteriosos do Museu é o porão do Castelinho. Quem passeia pelo lado externo do prédio, avista os gradis entrelaçados no nível do piso das calçadas que contornam a casa. O local não é aberto à visitação. Os registros históricos não mencionam o espaço, utilizado apenas por serviçais como depósito. A cozinha também funcionou no local. Naquele tempo, o cômodo era instalado fora dos ambientes das residências por prevenção a incêndios. A idéia é abrir o espaço para visitação, porém a falta de recursos dificulta a viabilização do projeto.

A visibilidade da sede do Museu Mariano Procópio foi prejudicada pelo crescimento das árvores, que circundam os edifícios. Foi elaborado um projeto que reintegra o museu à cidade.
A primeira coleção de Alfredo foi a de minerais, ele ainda era criança e estudava na Europa. A partir daí, foi ampliando suas coleções, com objetos do Brasil e do exterior. Alfredo reuniu peças de todos os ramos da História, desde cerâmica indígena até religiosas, da cultura egípcia. Leques e instrumentos de suplício, da época da escravidão, também fazem parte destas coleções. Muitas das imagens do acervo, que contém cerca de 23 mil imagens, foram feitas por Alfredo e seu irmão, Frederico, que tinham como hobby a fotografia.

Com o segundo maior acervo da época do império, o Museu Mariano Procópio é um dos mais importantes núcleos de cultura do país. Seu patrimônio constitui um acervo de cerca de 45 mil peças de grande valor histórico, artístico e científico, entre livros, indumentárias, jóias, moedas, armas, móveis, pratarias, vidros, cristais, porcelanas, esculturas, pinturas, gravuras, fotografias, artes religiosa, instrumentos de suplicio, animais empalhados, minerais e outras categorias.

Dentre as peças de destaque, estão os trajes de coroação, da maioridade e do casamento de D. Pedro II, além dos trajes de corte da Princesa Isabel. Objetos dos séculos XVI até o XIX formam uma coleção que está entre as mais importantes do país.

A pinacoteca do Museu chega a quase duas mil obras. O espaço se firma pelos nomes dos franceses François Daubigny (1817-1878) e Jean Honoré Fragonard (1732-1806), e do holandês Willem Roelofs (1822-1897). No entanto, o quadro mais importante de seu acervo é do brasileiro Pedro Américo (1843-1905), retratando a violência do esquartejamento de Tiradentes. O óleo sobre tela, pintado em 1893, servia como decoração na sala de reuniões da Câmara Municipal.

Grande parte do acervo mobiliário do Museu Mariano Procópio é originário do Palácio de São Cristóvão e foi adquirido em leilões no Rio de Janeiro. Algumas peças representam o reinado de D. João V, Dom José I, Dona Maria I, D. João VI, Pedro I e Pedro II. Nas 16 salas do museu, podem ser apreciadas mobílias do estilo português (século XVI) até peças de estilo hibrido (séculos XIX e XX).

A biblioteca do museu, inaugurada em 1939, possui 2500 volumes originários do acervo de Alfredo Lage, e outros 3500 doados a partir de 1944. A obra mais importante é “Provas Corregidas do Império do Brazil para Exposição Universal em Vienna D’Áustria”, de 1873, material que D. Pedro II revisou pessoalmente, com o objetivo de divulgar o Brasil no evento. A obra mais antiga é “O Livro de Regras da Ordem das Beneditinas”, de 1532.
Com a retificação do rio Paraibuna, em 1943, no governo de Getulio Vargas, o Museu perdeu grande extensão de suas terras, onde havia plantação de café. E, com a estrada de ferro D.Pedro II passando por ali, foi criada a estação Mariano Procópio, cujos armazéns de cafés e outros gêneros alimentícios ficavam em frente ao Parque do Museu.
O Museu que foi tombado pelo patrimônio municipal na década de 1980.

Familia Ferreira Lage


Fonte:Revista Em Voga - especial Museu Mariano Procópio/ Tribuna de Minas

 

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