Juiz de Fora > Rua Halfeld

A imagem do passado (1870) da rua Halfeld era, uma rua comprida que desce o Morro do Imperador e segue rumo ao rio Paraibuna, chamada rua da Califórnia ainda com aspecto primitivo das casas de pau-a-pique e de uma pacata viela sem calçamento e empoeirada.

A história da rua Halfeld começa por volta de 1853. Com o nome da rua da Califórnia, ela foi uma das várias vias que a Câmara Municipal mandou abrir em comemoração à elevação da Vila de Santo Antonio à categoria de cidade. Central, a nova rua progrediu rápido, atraindo todas as novidades, apesar de ainda em 1870 estar cercado de construções precárias que não resistiram ao tempo. Em 1878, já era macadamizada ( o sistema de calçamento mais moderno da época). Pouco depois, em 1881, era uma das primeiras ruas servidas por bondes.

Em 1884, o grande número de carruagens trafegando pela rua já preocupava, levando à reivindicação de implantação de mão única. E, em 1889, passou a contar com iluminação elétrica.
Do final do século XIX até meados de 1930, o perfil urbano da rua Halfeld era o de uma via formosa, com construções fundamentalmente marcadas por uma preocupação estética, cheia de adornos que contribuíram para dar leveza e encanto à rua. Eram prédios que ostentavam belas sacadas de ferro trabalhado, com numerosas e amplas janelas, numa demonstração de evidente preocupação em construir fachadas bonitas, feitas para serem apreciadas.

Esta rua Halfeld foi vítima de sua própria valorização. As antigas construções, de apenas dois pavimentos, foram demolidas para ceder lugar a arranha-céus e prédios de um novo padrão arquitetônico. Um dos prédios divisor de época é o edifício Sulacap, construído no início da década de 40. O prédio foi o responsável por tornar elegante morar na rua Halfeld, pois, além de lojas e salas tinha apartamentos de luxo. Depois dele, construíram-se vários prédios residenciais num processo que conduziu à rápida demolição da rua velha, especialmente no trecho da Batista de Oliveira e avenida Rio Branco. Exemplares da antiga paisagem arquitetônica da rua Halfeld sobreviveram em maior número na parte baixa da via, entre a avenida Getulio Vargas e Praça João Penido.

Mas, ela nunca deixou de ser o “coração” da cidade. Ela surgiu para unificar e permanecer como o lugar onde tudo acontece e onde todos se encontram. Os footings ingênuos, onde começaram muitos romances, os grupos jogando conversa fora, a charmosa confeitaria do Hotel Rio de Janeiro e os bailes do antigo Clube Juiz de Fora. Os tempos podem ter mudado e muito se perdido do romantismo de uma época que só deixou vestígios na memória dos antigos, nas fotografias e nos prédios espremidos entre construções modernas.

Nota de Ricardo: Descendo a rua Halfeld:

Academia do ComércioFoi o primeiro instituto de Ensino Superior do Comércio do Brasil, inaugurado em 26 de junho de 1894.

Capela São Sebastião
O terreno foi doado para construir um colégio em 1861, mas, o desejo foi desrespeitado, retificando a doação para construir a Capela São Sebastião, hoje Igreja São Sebastião,  inaugurada em 20 de março de 1878.

Fórum
O Sr. Fernando Halfeld doou um terreno para a construção do Fórum, que foi inaugurado com a presença do Imperador D.Pedro II, em 1878, localizado na rua Halfeld, 955, até hoje.

Parque Halfeld
Foi inteiramente remodelado por Francisco Halfeld, que custeou toda as despesas das obras executadas pela Cia. Pantaleone Arcuri & Spinelli. Foi tombado pelo patrimônio municipal em 29 de abril de 1989, em função do seu significado histórico e urbanístico.

Prefeitura MunicipalEm 1852, a Província de Minas Gerais comprou do Comendador Guilherme Fernando Halfeld e de sua esposa Cândida, o terreno para construir a Prefeitura, como a cadeia, do município de Santo Antonio de Paraibuna, onde, em 1918, começou a funcionar a nova Prefeitura Municipal.

- "Descrevi a rua Halfeld até o século XIX. Agora vou entrar na fazer em que consegui percorrer e conhecer pessoalmente o desenvolvimento, não só da cidade, mas,  principalmente, desta rua.
Sem falar na “Casa Sucena”, que se instalou em frente à antiga Prefeitura, em 1903, filial do Rio de Janeiro, onde se situa hoje, o Edifício Santa Helena"
.

Edifício Santa HelenaConstruído em 1957, pertencia ao Dr. Diocleciano Teixeira de Carvalho, de Araraquara. Sediava o Café Astória, a Casa Lessa, a Sapataria Clark e a Casa do Café. O edifício foi construído pela Cia Pantaleone Arcuri.

Edifício Club Juiz de ForaA primeira sede eu não conheci. Mas, a segunda sede, construída pela Cia Pantaleone Arcuri & Spinelli, sendo seu arquiteto, meu pai, Raphael Arcuri, construído em 1918.
Fui um freqüentador assíduo deste club, onde fiz bons amigos. Infelizmente, em 1950, foi destruído por um incêndio. Os proprietários do imóvel resolveram pela demolição e construíram um novo edifício de escritórios, que veio a sediar o novo Club Juiz de Fora.

Novo Edifício Club Juiz de Fora
A construção do edifício, projeto do arquiteto Francisco Bologna, que era de Belo Horizonte, foi feita, começando por toda a estrutura do prédio, e, por motivos particulares do arquiteto, foi paralisada a construção.
A Diretoria resolveu mais tarde, que a Cia Pantaleone Arcuri continuasse com a construção. A Cia. Aceitou e assim foi feito, com resultados satisfatórios e de pleno sucesso.
Os três últimos andares seria a sede do novo Club Juiz de Fora e os 10 andares abaixo seriam de grupos de salas.
Foi nesse prédio que eu adquiri o grupo 1002, no décimo andar, em 1956, onde montei meu novo consultório dentário, sendo a entrada pela rua Halfeld, porque, pela av. Rio Branco era a entrada do Club.

Casa Oriente Eram proprietários os irmãos Medeiros, a casa tinha um comércio variado. O prédio, ao lado do edifício do Clube Juiz de Fora, assimila o modelo arquitetônico europeu, copiado pela cidades brasileiras.
O segundo andar do imóvel mantém os balcões e portas com verga em arco decorados com motivos florais, que empresta aspectos e imponência, ainda resiste aos anos.

Hotel Rio de JaneiroEra muito freqüentado por políticos de Minas, que faziam seus comícios, na época das eleições, nas sacadas de ferro, para o povo. Existia na parte inferior um café, que era muito procurado pela sua qualidade.

Parque Royalo prédio foi construído pela Cia. Pantaleone Arcuri. Era um sobrado, cuja parte superior se comunicava por uma escada de madeira. Na parte inferior (térreo), existia a porta central, ladeada por duas lojas com vitrines, onde expunham roupas para homens e mulheres.

Galeria Pio X Foi construída pelo Sr. Artur Vieira, em 1925. Foi a primeira galeria em Juiz de Fora, sendo uma idéia arrojada do proprietário, que era dono de uma das mais respeitada loja de relógios e jóias, existente até hoje.

Cinema PazInaugurado em 1920, pelo empresário José Rezende de Oliveira e Silva. Era todo pintado de branco, muito bonito, os camarotes tinham suas divisões em treliças, muito artístico. Possuía uma orquestra que acompanhava a exibição do filme. O prédio já foi demolido.

Cinema PolyteamaO cinema tinha a forma oval, que não apresentava nenhum conforto.

Cinema CentralDemoliram o cinema Polyteama e, começaram, a construir o cimena Central, que ficou pronto em 30 de março de 1929. Com a falta do cinema Polyteama, resolveram construir o Cine Variedades, provisoriamente, todo de madeira, na esquina da rua São João com a av. Getulio Vargas, que foi demolido logo que terminaram a construção do Cine-Theatro Central.

Casa GrippeComércio de cutelarias e armas

Praça João PessoaVeio substituir o corredor que dava passagem até a entrada do Cinema Central. Construíram dois sobrados, sendo o da direita onde era localizado o Bar Salvaterra, que lembrava um elegante boulevard parisiense. As cadeiras de vime, distribuída na calçada, entre as mesas redondas com tampo de mármore e toalhas rendadas. Na parte interna da loja tinha um balcão de mármore português, onde os cavalheiros saboreavam a cerveja Jose Weiss.
O prédio da esquerda era onde existia a Drogaria Caputo, do presidente vitalício do Sport Clube de Juiz de Fora.

Confeitaria Christiano Horn Local onde comprávamos balas e bombons por ele fabricado. Eu tinha 17 anos, fui colega do filho do Sr. Christiano, o Paulo. Fizemos tiro de guerra no ginásio do Granbery em 1934 juntos.

Confeitaria FluminenseConfeitaria do Sr. Almeida, português, rigorosíssimo com a elegância da confeitaria, a mais fina que Juiz de Fora conheceu. Ele possuía, nos fundos da loja, uma padaria que dava para a rua Marechal Deodoro. Hoje no local é a lojas Americanas.

Casa MarangonCasa de calçados dirigida pela família Marangon.

Jardim das NoivasExplorava o comércio de armarinho e tecidos, principalmente para as noivas. Seu proprietário era Sr. Simões e Silva, cujo filho, Gal. Sidney Simões e Silva, foi meu colega e amigo de ginásio, em 1934, no Granbery.
A loja ficava na esquina da rua Halfeld com Batista de Oliveira e não existe mais. No mesmo sobrado, na parte superior, na mesma época, existia os escritórios do Diário Mercantil, antigo jornal da cidade. Este prédio foi construído pela Cia. Pantaleone Arcuri.

Fotógrafo BresciaEra italiano, muito conceituado na arte fotográfica. Não tinha uma pessoa, na época, que não tinha uma foto tirada por ele. A foto apresentava um carimbo em auto-relêvo – Foto Brescia -.

Relojoaria Fellet Comércio de jóias e relógios.

Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais Ficava num prédio de dois pavimentos construído pela Cia. Pantaleone Arcuri. No térreo,  funcionava a agência do banco, cujo gerente, na época, era o Sr. Nardelli. No andar superior, existia um apartamento para a moradia do gerente e na parte da frente, um hall, um banheiro e três boas salas. Na sala do meio foi onde montei meu primeiro consultório dentário.

Palace Hotel Construído pela Cia. Pantaleone Arcuri, tornou-se o hotel mais chique da cidade, hospedando grandes nomes da política do país. Possuía um bonito salão de festas.

Banco Crédito Real de Minas GeraisFoi construído pela Cia. Pantaleone Arcuri, em 1981, sofrendo um aumento de dois pavimentos, mais tarde, onde está localizado o Museu.

Banco do Brasila primeira agência de Juiz de Fora era um prédio de dois andares, construído pela Cia. Pantaleone Arcuri.

Hotel São Luiz Funcionou desde 1943, quando foi inaugurado. Possuía um jardim interno. As paredes possuíam pinturas de Ramon Rodrigues, artista que pintou a catedral.

Club dos GrafosClub carnavalesco muito apreciado, principalmente no Carnaval.

Cia. Dias Cardoso Prédio construído pela Cia. Pantaleone Arcuri,  em 1916. Estilo europeu do século XX. Seu proprietário, Sr. Paschoal Dias Cardoso, um português muito respeitado e querido. Tinha um parque gráfico, livraria, papelaria, artigos para escritório, confecções de livros comerciais, além de vender instrumentos musicais.

Casa Ettoire RivelliArmazém de secos e molhados. Sr. Ettore residia com a família na parte superior do prédio, que são meus padrinhos de batismo, do qual muito me orgulho. Lembro-me que a rua Halfeld, nesta época, era calçada de paralelepípedo e só circulava carroças e carruagens com passageiro. Na beirada do passeio (meio-fio) existia argolas fixas no chão para prender os animais.

Casa Kock Torres Vendia material elétrico em geral.

Casa PinhoMuito amigos da família Arcuri, seu comércio era de material de construção, louças, etc.

Hotel Avenida o prédio faz esquina da rua Halfeld com a praça da estação, hoje Praça João Penido.

Juiz de Fora, cidade do século XIX, em estreita vinculação com o dinamismo do Rio de Janeiro, não participou da cultura mineira. Seu desenvolvimento industrial trouxe para a cidade, além dos apitos das fábricas, o desejo de civilizar-se nos moldes dos centros europeus.

Os estudos, até agora realizados sobre a vida cultural de Juiz de Fora, revelou a existência de várias fases ao longo dos dois últimos séculos.

Inicialmente, percebe-se uma cidade aberta. A distância dos centros barrocos, somados à prosperidade econômica, atraiu interesses mais variados. Com o aumento da população, motivou uma arquitetura “descuidada”. Os prédios da importância histórica, foram, em grande parte destruídas em nome de um progresso questionável.

Esta Rua Halfeld foi vitima de sua própria valorização, como principal via comercial e, posteriormente, residencial. As antigas construções, de apenas dois pavimentos, foram demolidas, para ceder lugar a arranha-céus e prédios de um novo padrão arquitetônico. A verticalização da rua, processo que busca aproveitamento com resultados lucrativos, através da multiplicação do espaço.

Teve início a era dos prédios de salas de escritório, a começar pelo prédio do novo Club de Juiz de Fora. Coube ao Clube os 3 últimos pavimentos e 3 pavimentos de grupos de salas, onde instalei meu segundo consultório, no 10o. pavimento, sala 1002.

O Edifício Baependi, erguido no lugar onde antes havia o Hotel Rio de Janeiro, também de grupos de salas.

Outro prédio divisor de épocas é o Edifício Sulacap, construído no inicio da década de 40, no lugar do Cine Paz. O prédio foi o responsável por tornar elegante morar na Rua Halfeld, pois, além de lojas e salas, tinha apartamentos de luxo. É onde hoje está localizada a Dental Mineira, do ramo odontológico.

Depois dele, construíram-se vários outros prédios residenciais, num processo que conduziu a rápidas demolições da rua velha, especialmente no trecho entre a Rua Getulio Vargas e Avenida Rio Branco.

Exemplares da antiga paisagem arquitetônica da Rua Halfeld sobrevivem em maior numero entre a Rua Getulio Vargas e a Praça. João Penido.

Depois que o Sr. Artur Vieira completou a sua galeria, a Galeria Pio X, construindo a parte nova da Rua Marechal, apareceram inúmeras outras galerias por toda a cidade.

Fonte: Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal


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