Juiz de Fora > Estrada União e Industria

 

Mariano Procópio Ferreira Lage nascido em 1821, na Chácara do Matinho, em Barbacena, Minas Gerais, foi estudar na Europa no ano de 1840. Ao voltar ao Brasil, recheado de conhecimento de línguas, arte fotográfica, física e ciências exatas, ainda estava insatisfeito. É que, enquanto isso, os Estados Unidos se desenvolviam tecnologicamente, e tinham muitas coisas para mostrar e ensinar. E foi na América do Norte que ele acabou conhecendo uma nova descoberta a técnica de Mc Adam - o macadame, um processo inédito de pavimentação de estrada, à base de saibro e areia grossa comprimidos a rolo sobre brita, o que garantiria que permanecesse trafegável mesmo na época de chuvas..

O projeto da estrada começou em 1854 quando o Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage recebeu a concessão por 50 anos para a construção de custeio de uma rota que, partindo de Petrópolis, se dirigesse à margem do Rio Paraíba. Mariano Procópio criou então a Companhia União e Indústria, que deu nome à estrada e cujo lucro provinha do pedágio por mercadoria cobrado dos usuários da rota.

Os trabalhos tiveram início em 12 de abril de 1856 com a presença do Imperador Dom Pedro II e a Família Imperial, e a placa que registra o evento ainda pode ser vista no início da Avenida Barão do Rio Branco, em Juiz de Fora. O primeiro trecho a ser finalizado, inaugurado em 18 de abril de 1858, ligava Vila Teresa a Pedro do Rio, num total de 30,865 metros. De Pedro do Rio a obra seguiu até Posse, dois anos e 14 quilômetros depois. Finalmente, em 23 de junho de 1861, Dom Pedro II e representantes ilustres da Corte e da Companhia União Indústria percorreram em diligência os 144 quilômetros da primeira rodovia macadamizada brasileira, inaugurando a união entre Petrópolis e Juiz de Fora.

Foi assim que começou a nascer a estrada de Rodagem União e indústria, ligando Juiz de Fora a Petrópolis, com seus 144 quilômetros ( ou 24 léguas, como se media na época), por onde transitavam charretes, carroças e carruagens, que gastavam em média 12 horas para completar o percurso, com 13 estações de troca de parelhas que permitiam também o descanso dos passageiros, sendo servidas refeições. As estações ficavam a 2 léguas entre si (13,2 km), sendo elas: Juiz de Fora (Cidade de Paraibuna), Ponte Americana, Matias Barbosa, Simão Pereira, Paraibuna (divisa da Província), Serraria, Entre Rios, Luiz Gomes, Julioca, Posse, Pedro do Rio, Correas e Petrópolis. As estações tinham também a função de receber e despachar as mercadorias, através das carroças da Companhia, em sua maioria café, toucinho, suínos e aves.

Por essa estrada começava a escoar, também, a produção agrária da Zona da mata mineira, principalmente o café, e os primeiros transportes coletivos, as diligências, que levavam até 14 pessoas, além do cocheiro, do condutor e de um ajudante, que tocava um trompete, “como aviso aos que viajavam em sentido contrário”.

A União Indústria aproveitou vários trechos da estrada do Paraibuna, mas o comendador a desviou da cidade de Halfeld. Ao atingir o largo do Riachuelo (na época Milheiros), mudou o rumo, traçando a reta de um quilômetro que hoje é a av. Getulio Vargas.

O surgimento da estrada foi definitivo para esta última, transformando Juiz de Fora, ainda em desenvolvimento, numa importante rota comercial entre os dois estados. Deu origem também ao primeiro guia de viagens do Brasil, escrito pelo alemão Revert Henrique Klumb, fotógrafo do imperador, e intitulado "Doze Horas em Diligência - Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora". Editado em 1872, o livro descrevia com textos e imagens a fantástica viagem.

A construção da estrada teve início em 1856 e sua mão-de-obra foi quase toda formada por imigrantes alemães e alguns franceses. O primeiro grupo de imigrantes chegou em 1856. Era formado por 150 pessoas, entre engenheiros, técnicos e operários especializados. Dois anos depois, sempre partindo da Alemanha, em cinco viagens, chegaram outras 1163 pessoas que, em Juiz de Fora, foram morar na Colônia de São Pedro II, hoje Bairro de São Pedro.

Em 23 de junho de 1861, com a presença  da família imperial  e sua comitiva vinda de Petrópolis, era inaugurada a estrada União Indústria.
A beleza da rodovia encantou viajantes ilustres e desconhecidos, maravilhados com sua moderna engenharia e com a elegância de pontes, como a Americana, de ferro laminado ou pedra, e assoalhos de madeira.
Da antiga União-Indústria ainda restam várias construções e pontes, destacando-se a Ponte de Santana em Alberto Torres, restaurada pelo governo. Ainda existem também a Ponte das Garças em Três Rios e a antiga Estação de Paraibuna em Mont'Serrat, município de Comendador Levy Gasparian, construída em 1856 para a troca das mulas durante as diligências (procedimento realizado várias vezes na viagem entre Petrópolis e Juiz de Fora). Situada em um bonito chalé em estilo francês, a Estação abriga atualmente o Museu Rodoviário, onde é possível vislumbrar em detalhes a história da União e Indústria e do rodoviarismo brasileiro. O Museu foi inaugurado em 23 de junho de 1972.

Fonte: Tribuna de Minas , Arquivo Pessoal

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