Juiz de Fora > Usina dos Marmelos

 

A cafe trouxe prosperidade a Juiz de Fora, e a as grandes fazendas de café tornaram-se a base da economia local. Isso atraiu novos investimentos para a cidade, como a Estrada União e Indústria, construída por Mariano Procópio Ferreira Lage e pela Companhia União Indústria e inaugurada em 1861. As obras da rodovia trouxeram consigo a mão de obra qualificada dos imigrantes que, após a conclusão da União e Indústria, passaram a participar do progresso industrial do município, que começara a desenvolver suas primeiras fábricas.

O empreendedor Bernardo Mascarenhas adquire então um terreno às margens do Rio Paraibuna e da estrada, onde pretendia estabelecer uma indústria de tecidos. Ele acabaria construindo a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas próximo à Estação Ferroviária, local mais propício para o escoamento da produção, destinando o terreno perto do rio a outro projeto: conseguir uma fonte de energia elétrica para seus empreendimentos, então movidos à base de querosene.

Em 1886, Mascarenhas e o banqueiro Francisco Batista de Oliveira recebem aprovação do munícipio para explorar a Cachoeira dos Marmelos para produção elétrica. O projeto foi então integrado à Companhia Mineira de Eletricidade, fundada por Mascarenhas em 1888 e responsável agora pela construção da nova usina.

A construção teve início em fevereiro de 1889, com uma pequena edificação em alvenaria de tijolos maciços aparentes, embasamento de pedra, telhas francesas e beirais ornamentados por lambrequim.  .[3] O projeto da usina foi feito pela pela firma americana Max Nothman & Co., e os equipamentos necessários para seu funcionamento importados da Westinghouse.  A geração de energia teve início em agosto de 1889 .O industrial Bernardo Mascarenhas colocou Juiz de Fora na história da energia elétrica do país ao inaugurar em 5 de setembro de 1889, às margens da Estrada União e Indústria, a primeira usina hidrelétrica para uso público da América do Sul. Marmelos Zero, como é chamada, começou a funcionar apenas sete anos depois da Hidrelétrica de Appleton, no estado americano de Wisconsin, primeira da América do Norte.

Marmelos era guarnecida por uma barragem de 51 metros de largura e 2,4 de comprimento, que desviava água em um canal no banco sudoeste do rio, no curso da construção.[5] A princípio, a usina utilizava dois geradores de 125 kW que operavam alternadores monofásicos em uma frequência de 60 hertz. No ano seguinte, a hidrelétrica fornecia energia a 180 lampadas. Com o passar do tempo, um terceiro gerador foi adicionado à usina, que passou a fornecer energia a mais de 700 lâmpadas e contribuir em projetos industriais e de utilidade pública.. A Marmelos Zero foi descontinuada em 1896 com o surgimento de novas hidrelétricas como a Marmelos I, IA e II, mais modernas e com capacidade de explorar melhor a cachoeira.. A Marmelos I foi também descontinuada, enquanto a IA e II continuaram a operar com uma capacidade de 4 MW

A Cachoeira dos Marmelos pertencia à Companhia Mineira de Eletricidade, fundada em 1888 por Bernardo Mascarenhas com o objetivo não só de alimentar os teares de sua fábrica de tecidos, mas também de proporcionar energia e iluminação elétrica gerada pela força do rio, através desta cachoeira à progressista cidade, que viria a merecer o título de Manchester Mineira. Embora a novidade tecnológica tenha provocado alguns temores na população, que chegou a recear tomar choques ou ser eletrocutada, o pioneirismo de Mascarenhas inscreveu Juiz de Fora na modernidade. A Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, por exemplo, rendeu congratulações aos habitantes da cidade mineira por ficar livre do gás, “que tanto escurece”.
Superando dificuldades, expandindo a capacidade e assumindo compromisso com a comunidade, a Cia. Mineira de Eletricidade deu um novo impulso à economia loca, permitindo expansão das indústrias e o crescimento do parque industrial e acabar explorando o serviço de bondes (1881), o serviço telefônico (1883 e também, o telégrafo )1984).

Marmelos Zero funcionou por pouco tempo: foi desativada em 1896, porque, no ano seguinte, a Companhia inaugurou a Usina 1, com maior capacidade de geração. Em 1915, foi inaugurada a Usina 2, cuja potência foi ampliada no início da década de 20. Por fim, em 1948, foi construída a Usina 1-A. Tudo isso forma o Complexo de Marmelos. Em maio de 1980, a Cemig assumiu o patrimônio da extinta Mineira. Em 19 de janeiro de 1983, Marmelos Zero foi tombada como bem do patrimônio municipal e transformada em espaço cultural, além do prédio na ruas Espírito Santo, 467, em estilo inglês, conhecido como “Castelinho”. As instalações remanescentes da usina pioneira foram preservadas pela Cemig, que reconstituiu réplicas de alguns dos equipamentos, uma vez que as máquinas originais já não existiam.

Em 1980, a CEMIG adquiriu a hidrelétrica, reformando-a. Em 5 de setembro de 1989, a 1ª Usina foi transformada em museu, quando se comemorava um século da façanha histórica de Bernardo Mascarenhas. Além das construções de época, o local abriga instrumentos de levantamento topográfico, fotos, máquinas de escrever e o livro de contabilidade da Companhia Mineira de Energia

Fonte: Tribuna de Minas , Arquivo Pessoal

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