Raphael Arcuri

 

Filho primogênito de Pantaleone Arcuri, recebeu o nome do seu avô e marcou profundamente a concepção estética através de suas construções, numa época em que Juiz de Fora ainda tinha um processo harmônico de desenvolvimento urbano. Inegavelmente a dimensão plástica encontra-se presente nas soluções adotadas, herdeiras do ecletismo, se vinculavam com o trabalho dos profissionais pintores, como o caso de Ângelo Bigi, de cuja união saíram obras como a Associação Comercial e a do Cine-Theatro Central, em épocas bastantes diversas, a primeira em 1918 e a outra em 1927.

Se a atividade do profissional arquiteto não teve um desenvolvimento à altura da qualidade construtiva e urbanística que Juiz de Fora possuíra até os meados da década de 40, um dos elementos que colaboraram para esta deficiência, foi a ausência de uma escola de arquitetura que pudesse atender as necessidades locais e regionais, além de servir de elo entre a experiência dos profissionais locais, como no caso de um Raphael Arcuri, que poderiam colaborar na formação de novas gerações.

No entanto, a outra face da moeda, as artes plásticas, livre das dimensões especulativas do solo, segue uma boa tradição cujo filão mais rico foi o dos “pintores de paredes”: como um Heitor de Alencar que ajudou Ângelo Bigi nas pinturas do teto do Cine Central. De forma natural se contrapunham à uma corrente mais erudita que não se chegou a fincar raízes neste potencial sensível destes artistas mineiros da zona da Mata, mas trouxe muito prejuízo à arquitetura devido à incompreensão que legitimou inúmeras demolições de edifícios e espaços que se constituíam verdadeiros patrimônios ambiental urbano de Juiz de Fora.

Pantaleone Arcuri (1867 – 1958) abraçara a profissão do pai, de mestre-pedreiro, atividade que era depositária de toda tradição construtiva tradicional. Veio pela primeira vez ao Brasil em 1876, acompanhando seu pai, mas sendo mandado novamente para a Itália. Lá, irá casar-se com Christina Spinelli e terá o seu primeiro filho – Raphael Arcuri.

Nascido em 27 de dezembro de 1891, em Santa Ágata d’Estero, província de Consenza na Calábria, teve o seu registro de nascimento alterado para 1 de janeiro de 1892. Ele e sua mãe permaneceram na Itália durante 5 anos, só vindo para o Brasil quando Pantaleone já tinha se estabelecido.

Desde 1985, já tinha constituído uma firma empreiteira com Pedro Timponi – Pantaleone Arcuri e Timponi – que tinha entre os seus funcionários, na função de desenhista e de contra-mestre, Salvador Nataroberto, que foi o responsável por todos os projetos da firma na sua primeira fase. Responsável também pelos trabalhos artísticos das oficinas de marcenaria e serralheria, ele será a primeira influência sobre o jovem e futuro arquiteto Raphael.

Foi a visão deste notável mestre-pedreiro e empreiteiro Pantaleone Arcuri, que nunca confundiu construção com arquitetura, é que Raphael foi para Nápoles, para iniciar os seus estudos de arquitetura com apenas 15 anos de idade.

Aí fica até 1911. Alguns dos seus trabalhos escolares encontram-se guardados com a família além da carta de um dos professores, o arquiteto Giovanni de Fazio, datada de 13 de julho de 1957, já com a idade bastante avançada, escreveu:
“Eu que vos escrevo, sou o arquiteto Prof. Giovanni de Fazio que foi o seu professor de arquitetura quando na juventude estiveste em Nápoles para o vosso estudo de arquitetura”, e mais adiante, “São passados tantos anos e vós certamente estará idoso e conseguido ser uma grande coisa”.

Giovanni, anteriormente, tinha tomado conhecimento dos trabalhos de Raphael e, provavelmente, tinha-lhe causado tão boa impressão de seu aluno ter-se realizado profissionalmente, que fez refletir sobre a sua pessoa ao fazer menção, na carta, que pouco pudera fazer devido a guerra e que vivia muito mau.
E, este tipo de conduta solidária, a encontramos materializada na sua obra, onde o ideal estético e a obra foram as duas entidades máximas que Raphael levou consigo no exercício de sua atividade profissional.

O período em que Raphael viveu corresponde à época em que as principais necessidades da construção civil eram atendidas pela mão de obra e técnicos imigrados. Os brasileiros ou naturalizados, os poucos que se propunham a seguir esta profissão, eram formados principalmente fora do Brasil. Apesar dos cursos existentes nas Escolas Politécnicas do Rio de Janeiro e São Paulo, eles eram quase inacessíveis diante do rigor dos exames de seleção, que pediam um tal de nível de conhecimentos gerais e de ciências exatas, que praticamente aboliam a possibilidade de quem tivesse sensibilidade plástica e moldado na prática construtiva, mas sem uma forte base de educação formal, de cursar o nosso ensino superior. Apesar da atuação despojada de Raphael Arcuri, em Juiz de Fora, ele não deixou escola – que poderia ter existido.

Se após a 2ª Guerra – 1939-45, existiam apenas 500 arquitetos no Brasil e, em 1950, apenas 4 escolas de arquitetura, podemos sentir a dimensão deste impasse.


Na opinião de Décio Bracher, “Raphael Arcuri poderia ser chamado de o Aleijadinho de Juiz de Fora, ele modelou toda uma cidade e fabricava tudo aqui mesmo, enquanto era moda exportar material. Vejo uma enorme necessidade de preservação de valores históricos como este, pois se tornam valores históricos desde que a gente participou”.
 
Banco Credito Real – JF
: 1929 - O arquiteto Raphael Arcuri expressa sua importância como símbolo de força e solidez da instituição financeira de relevância da cidade do Estado de Minas Gerais. As monumentais colunas que remetem as ordens arquitetônicas da antiguidade greco-romano para o mundo ocidental, um elemento histórico.
Galeria Pio X – JF: 1923 – A fachada da rua Halfeld era em estilo eclético, que privilegia a ornamentação. Mas, uma reforma em 1947 mudou completamente a concepção original, adotando as feições modernas que começavam a predominar na arquitetura da Halfeld neste período e que já estavam impressas na fachada da galeria na rua Marechal, assinada por Raphael Arcuri. Procurava-se uma arquitetura que refletisse “o desenvolvimento da cidade”.
Edifício Ciampi – JF: 1930 – O Edifício Ciampi, é situado na av. Rio Branco, defronte ao Parque Halfeld, é um projeto do arquiteto Raphael Arcuri. Concluído em 30, portanto contemporâneo da Escola Normal, foi precursor dos modernos edifícios urbanos que hoje em dia saturam a cidade.

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